Unificando o conhecimento humano: "ad astra per aspera" = Unifying human understanding: "ad astra per aspera"

Joaquim Marcelino da Conceição dos Santos

Resumo


Segundo Salomon Bochner, o modo como as matemáticas são capazes de explicar os fenómenos naturais é difícil de compreender dado serem tão perfeitas e, de certo modo, combinam-se misteriosamente com a natureza! Talvez possamos generalizar esta noção ao papel das matemáticas no surgimento da arquitectura como disciplina intelectual e abrangente compreendendo arte e ciência.

Contudo, no zénite desta convicção surge a crítica de Neveux e de Huntley versando o módulo de ouro. Afirmam que “Il n’y a pas de frontière bien définie entre les deux explications: la science conforte le mythe, le mythe conforte la science. De ce point de vue, Ghyka combine deux systèmes interprétatifs différents: la science qui pose des questions, le mythe qui donne des réponses.” E, consequentemente, a matemática transforma-se em misticismo quando esperaríamos que revelasse clareza científica. As fundações racionais da arte são assim desafiadas.

Mais, os quadrados preto-e-branco de Malevich ao negarem a mimesis necessariamente afirmam que a matemática que suporta a natura naturata é enganadora mesmo enquanto processo heurístico no que diz respeito à arte em si mesma. Assim, de facto, partimos e destronámos a matemática como chave fundamental para unificar o conhecimento. Neste sentido, podemos mesmo questionarmo-nos em que medida os seus quadrados são realmente matematizáveis!

Nestas circunstancias até a poética se torna estranha na presença da arte-ciência como meio holístico e a unidade do conhecimento tem de ser necessariamente posta em causa.

 

According to Salomon Bochner, the way by which mathematics is able to explain natural phenomena is hard to explain, so perfectly and, somehow, mysteriously combines with nature! And we could perhaps extend such notion to the role of mathematics on the rise of architecture as an intellectual discipline wide ranging from art to science.

Yet, at the acme of such assumption lies Neveux-Huntley criticism regarding the golden section. According to them, “Il n’y a pas de frontière bien définie entre les deux explications: la science conforte le mythe, le mythe conforte la science. De ce point de vue, Ghyka combine deux systèmes interprétatifs différents: la science qui pose des questions, le mythe qui donne des réponses.” And therefore mathematics turns into mysticism when it was supposed to reveal sharp scientific background. Rational foundations of art are therefore challenged.

Furthermore, Malevich’s black-white squares by denying mimesis necessarilly state that mathematics that lies under natura naturata is misreading even as an heuristic process regarding art as such. Thus, he actually broke down mathematics as a key fundament on uniting knowledge. In this sense we may even ask how far his squares are really mathematizable!

Under such circumstancies even poetics may seem odd regarding the shared presence of art-science as an holystic realm and the unity of knowlegde has to be necessarilly questioned.


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