Envolvimento académico na adolescência: o papel das estratégias de regulação emocional = Student engagement in youth: the role of emotional regulation strategies

Anabela Santos, Celeste Simões, Patrícia Arriaga

Resumo


A adolescência é um período do desenvolvimento humano em que o estado emocional sofre mais flutuações, ocorrendo reações mais intensas face ao stress, bem como a experiência de emoções de valência negativa com maior frequência (Riediger & Klipker, 2014). Estas características da resposta emocional durante a adolescência são mediadas pela capacidade de regulação emocional (Opitz, Gross, & Urry, 2012). A regulação emocional (RE) apresenta-se como o processo dinâmico que permite ao indivíduo responder ao stress de forma adaptativa. Apesar da controvérsia relativamente à adequação das estratégias de RE, é possível destacar a reestruturação cognitiva, a resolução de problemas e a aceitação como estratégias de RE que têm mostrado melhores resultados em termos de recuperação face ao stress, diminuição do risco para o desenvolvimento de perturbações do humor e promoção do bem-estar e qualidade de vida (Troy & Mauss, 2011). O envolvimento académico é descrito enquanto um construto multidimensional que contribui para a performance académica e para a conclusão dos estudos. O presente estudo analisa a associação entre estratégias de regulação emocional cognitiva e o envolvimento académico. Neste estudo transversal participaram 1434 estudantes entre os 12 e os 25 anos de idade (Midade= 16.06, 59% género feminino, 93.8% portugueses) que responderam às versões de autorrelato do Questionário de regulação emocional cognitiva – versão reduzida (Garnefski & Kraaij, 2006, versão portuguesa de Castro et al., 2013) e do Questionário de Envolvimento dos alunos (Lam, et al., 2004). Os resultados mostraram associações positivas moderadas entre o envolvimento dos alunos e a reavaliação positiva (r = .32) e o planeamento (r = .40), e associações positivas fracas entre o envolvimento e a aceitação (r = .23) e colocar em perspetiva (r = .22). Os resultados mostraram também que os participantes do género feminino reportaram valores superiores de envolvimento académico, comparativamente com os participantes do género masculino (t(1401) = -3.697, p < .001). Não se encontraram diferenças de idade. A regressão hierárquica múltipla foi utilizada para analisar o valor preditivo das estratégias de regulação emocional referidas no envolvimento académico, após controlar para o género. A covariável foi adicionada na primeira etapa, explicando apenas 3% da variância no envolvimento académico. Após a inserção das estratégias de regulação emocional a variância total explicativa do modelo foi de 19%, F(5, 1414) = 66.04, p < .001. No modelo final, a estratégia de regulação emocional cognitiva com maior poder explicativo foi o Planeamento (β = .30, p<.001), comparativamente com as restantes.


Adolescence is a period in the human development during which the emotional state suffers more fluctuations, with more intense reactions to stress and more frequently experiences of negative emotions (Riediger & Klipker, 2014). These characteristics of emotional response during adolescence are mediated by the emotion regulation (ER) competencies (Opitz, Gross, & Urry, 2012). ER is a dynamic process that allows the individual to respond to stress in an adaptive way. Despite the controversy regarding the adequacy of ER strategies, it is possible to highlight cognitive reappraisal, problem solving and acceptance, as ER strategies that have shown better results in terms of recovery from stress, decreased risk for development of mood disorders and promotion of well-being and quality of life (Troy & Mauss, 2011). Student engagement can be described as a multidimensional construct that contributes to academic performance and studies completion. The present study analyses the association between cognitive emotional regulation strategies and student engagement. This cross-sectional study involved 1434 students between 12 and 25 years old (Mage= 16.06, 59% female, 93.8% Portuguese) whom respond to the self-reported versions of the Cognitive Emotion Regulation Questionnaire-Short version (Garnefski & Kraaij, 2006, Portuguese version by Castro et al., 2013) and Student Engagement Questionnaire (Lam, et al., 2004). The results showed moderate positive associations between student engagement and positive reappraisal (r = .32) and refocusing on planning (r = .40) and positive weak associations between student engagement and acceptance (r = .23) and putting into perspective (r = .22). The results also shown that female participants reported higher scores on student engagement in comparison with male participants (t(1401) = -3.697, p < .001). No age differences were found. Hierarchical multiple regression was used to assess the ability of ER strategies to predict levels of student engagement, after controlling for gender. The confounding variable was entered at Step 1, explaining only 3% of the variance in student’s engagement. After entry of ER strategies at Step 2 the total variance explained by the model was 19%, F(5, 1414) = 66.04, p < .001. In the final model, the cognitive ER strategy with greater explanatory power was refocusing on planning (β = .30, p<.001) in comparison with the others.


Palavras-chave / Keywords:

Adolescência, Envolvimento académico, Regulação emocional, Planeamento.

Adolescence, Emotion regulation, Planning, Reappraisal, Student engagement.


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