Os comportamentos autolesivos na adolescência: abordagem quantitativa e qualitativa = Self-injurious behaviors in adolescence: quantitative and qualitative approach

Tânia Gaspar, Equipa Aventura Social

Resumo


O presente trabalho pretende compreender e caracterizar de forma aprofundada os comportamentos autolesivos na adolescência recorrendo a métodos quantitativos e qualitativos. O estudo quantitativo envolve 8215 adolescentes, 47% meninas e média de idade de 14 anos de idade do estudo Health Behaviour School Aged Children colaborativo da Organização Mundial da Saúde (Matos et al, 2018). Os resultados revelam que 18% dos adolescentes mencionaram ter-se magoado de propósito pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, as áreas do corpo mais frequentemente mencionadas foram os braços, as pernas e a barriga, dos jovens que já tiveram comportamentos autolesivos 38% refere ter realizado 1 vez e 25% refere tê-lo feito 4 vezes ou mais. Não se verificam diferenças estatisticamente significativas entre rapazes e raparigas e são os adolescentes mais novos (8º ano) que mais referem ter tido comportamentos autolesivos (22%). Foram identificados fatores ligados ao risco e ligados à proteção no âmbito dos comportamentos autolesivos na adolescência, os jovens que referem ter mais apoio familiar, melhor comunicação com os pais, melhor qualidade de vida, melhor relação com as escola, colegas, amigos e professores e melhores expectativas face ao futuro referem menos frequentemente cometer comportamentos autolesivos. Por outro lado, os jovens que referem mais sintomas de ansiedade, depressão, perturbações do sono, consumo de substâncias preocupações e desmotivação são os que mencionaram mais frequentemente ter-se magoado de propósito pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. São apresentadas e refletidas implicações dos resultados para a prevenção e promoção de saúde, para a prática clínica e para os decisores políticos.


This presentation aims to understand and characterize in-depth self-injurious behaviors in adolescence using quantitative and qualitative methods. The quantitative study involves 8215 adolescents, 47% girls and a mean age of 14 years old from Health Behaviour School Aged Children a World Health Organization collaborative study (Matos et al, 2018). The results reveal that 18% of the adolescents mentioned having hurt themselves on purpose at least once in the past 12 months, the most frequently mentioned body areas were the arms, legs, and belly, of the youth who have ever engaged in self-injurious behaviors 38% report having done it 1 time and 25% report having done it 4 times or more. There are no statistically significant differences between boys and girls and it is the youngest adolescents (8th grade) who most report having engaged in self-injurious behavior (22%). We identified risk and protection factors related to self-injurious behaviors in adolescence, young people who reported having more family support, better communication with parents, better quality of life, better relationship with school, peers, friends and teachers and better expectations for the future reported less frequently committing self-injurious behaviors. On the other hand, the young people who report more symptoms of anxiety, depression, sleep disturbances, substance use concerns, and demotivation are those who most frequently mention having hurt themselves on purpose at least once in the last 12 months. Implications of the results for prevention and health promotion, clinical practice, and policy makers are presented and reflected.


Palavras-chave / Keywords:

Comportamentos autolesivos, Saúde mental, Fatores protetores, Fatores de risco, Prevenção e promoção de saúde.

Self-injurious behavior, Mental health, Protective factors, Risk factors, Prevention and health promotion.


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