Vitimação infantil e labilidade afetiva em reclusos = Child victimization and affective lability in prison inmates

Raquel M. Fernandes, Telma C. Almeida

Resumo


A literatura tem identificado a influência negativa da vitimação na vida adulta. Os estudos mostram que, na população de reclusos, tanto os homens como as mulheres apresentam percentagens elevadas de abusos físicos e sexuais na infância, identificando-se uma relação entre a vitimação juvenil e a perpetração de comportamentos criminosos. Paralelamente, o trauma de vitimação juvenil está associada à dificuldade de regulação emocional na idade adulta e especificamente, à labilidade afetiva. A presente investigação pretendeu avaliar as diferenças de sexo no que se refere à vitimação infantil e à labilidade afetiva em reclusos. Participaram neste estudo 303 reclusos com idades entre os 20 e os 70 anos (M = 38.28, DP = 10.329) e de ambos os sexos. Os participantes responderam em papel e de forma presencial ao questionário sociodemográfico, ao Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) e à Affective Lability Scale – short version (ALS-18). Os resultados indicaram a existência de diferenças estatisticamente significativas entre homens e mulheres no trauma juvenil sofrido. As mulheres indicaram valores mais elevados no total de abuso infantil, no abuso físico, abuso sexual, negligência física e negligência emocional. Por sua vez, os homens apresentaram valores mais elevados no abuso emocional. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre mulheres e homens no que se refere à labilidade afetiva. Esta investigação reforça a ideia de existência de uma relação entre o trauma de vitimação juvenil e a reclusão. Desta forma, é fundamental sinalizar e prevenir possíveis casos de abuso juvenil, de forma a reduzir a perpetração de crimes na idade adulta.


The literature has identified the negative influence of victimization on adulthood. Studies show that, in prison inmates, men and women identify high rates of physical and sexual abuse in childhood, signalizing a relationship between youth victimization and the perpetration of criminal behaviors. Furthermore, the trauma of juvenile victimization is associated with the difficulty of emotional regulation in adulthood and specifically, with the affective lability. This research aimed to assess gender differences in child victimization and affective lability in prison inmates. The sample was composed of 303 prisoners, aged between 20 and 70 years old (M = 38.28, SD = 10.329), and both sexes participated in this study. Participants responded face to face to the sociodemographic questionnaire, the Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) and the Affective Lability Scale - short version (ALS-18). The results showed statistically significant differences between men and women in juvenile trauma suffered. Women indicated higher rates in total child abuse, physical abuse, sexual abuse, physical neglect, and emotional neglect. However, men showed higher values in emotional abuse. There were no statistical differences between women and men concerning the affective lability. There is a relationship between the trauma of juvenile victimization and detention. Thus, it is essential to signal and prevent possible cases of youth abuse, to reduce the perpetration of crimes in adulthood.


Palavras-chave / Keywords:

Vitimação infantil, Labilidade afetiva, Reclusos.

Child victimization, Affective lability, Prison inmates.


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