Ser pai na prisão = Being a father in prison

Sónia Ventura Teixeira

Resumo


O crime é um assunto de direito mas também de sociedade. São já vários os países, como Inglaterra, Holanda, Irlanda, País de Gales e EUA, que têm uma abordagem inovadora à questão do contacto entre o recluso e as suas famílias. Estes países desenvolveram programas que apoiam o recluso e as suas famílias quando um dos seus membros está na prisão, no quadro de política de prevenção de comportamentos desviantes. Em Portugal, a 1 de dezembro de 2013, a população prisional era de 14170 reclusos. Destes, 13340 são homens e 830 mulheres. Não existem dados nas estatísticas da Direção Geral de Reinserção Prisional e Serviços Prisionais sobre quantos destes reclusos são pais. Em Portugal, embora existam várias investigações relacionadas com esta área de estudo, não existem dados, nem estão pensadas medidas no sistema prisional, ou fora deste, para investir na proximidade e manutenção da família ou no apoio aos filhos de pais reclusos, ainda que a importância desta fator de risco/proteção seja reconhecida. Assim, este nosso trabalho surgiu da nossa prática profissional, dos relatos dos reclusos e das questões e angústias que partilham connosco, do nosso intuito de querer contribuir para que algo possa ser feito ao nível da intervenção com reclusos e, consequentemente, da prevenção de comportamentos reincidentes ou da “trangeracionalidade” de comportamentos desviantes. Um Programa na área da Educação/Treino Parental com esta população seria de suma importância, a par de um acompanhamento muito próximo e o apoio às crianças filhas destes. Este trabalho pretende constituir uma reflexão e prestar um contributo nas áreas da intervenção com os agressores em meio prisional e da prevenção do comportamento delinquente/criminal. Pensar a reclusão é, portanto, um passo imprescindível para se legislar, decidir e agir no domínio do crime e da reclusão, com vista a ajudar a construir uma sociedade mais segura, menos alienada, mais humana.

 

Crime is a matter of law, but also of society. Several countries, such as England, Holland, Ireland, Wales and the USA, have innovative approaches to the issue of the contact between recluses and their families. These countries have developed programs that support the recluse and their families, in the context of a prevention of deviant behaviour policy. In Portugal, in December 1, 2013, population in prison was 14170 recluses. 13340 of these are male and 830 female. There is no data in the statistics of the General Directorate of Prisons and Probation Services on how many of these recluses are parents. In Portugal, there are several researches regarding this subject, but no data is available and no measures are designed in the prison system, or outside, to invest in family closeness and maintenance or in the support of prisoners’ children, although the high importance of this risk/protective factor is acknowledged. This work came out from our professional practice, and from the comments of the prisoners and the issues and anxieties that they share with us, and our aim is to contribute to something that can be done at the level of intervention with recluses and, hence, of prevention of relapse or "transgenerationality" of deviant behaviours. The development of a Program of Education/Parental Training among prisoners population would be of great importance, along with a very close monitoring and support of their children. This work intends to provide a contribution to the areas of intervention with offenders in prisons and prevention of delinquent/criminal behaviour. To think about incarceration is therefore an essential step to legislate, decide and act in the field of crime and imprisonment, in order to help build a safer, less alienated, and more humane society.

 

Palavras-chave / Keywords


Reclusão, Prevenção, Reabilitação, Parentalidade.

Incarceration, Prevention, Rehabilitation, Parenting.


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