Quero a minha mãe! = I want my mom!

Márcia Rodrigues, Sara Araújo, Graça Fernandes

Resumo


O período de ausência materna numa fase específica do desenvolvimento é particularmente complexo em crianças. Uma criança, de 29 meses, género masculino, foi referenciada a partir do médico de família para consulta de pedopsiquiatria devido a queixas de heteroagressividade: desde os 11 meses de idade que no contacto com a mãe e avó materna, reage com mordedura. Estes episódios iniciaram-se com a descoberta de doença neoplásica no irmão e com o consequente afastamento da mãe por períodos de tempo variáves, ficando o bebé aos cuidados da avó materna. A avó materna surge como figura de vinculação secundária face aos momentos de ausência materna. O primeiro ano de vida é pautado pelo estadio oral que, é globalmente um ano definido pela preensão, com a zona orolabial a ser dominante nas manifestações comportamentais. Na fase de desenvolvimento em que surgiu o comportamento, aos 11 meses, a mãe deixa de assumir um papel exclusivamente para-excitatório de proteção para passar a atuar como um “ego auxiliar/de suporte” ao bebé através de comportamentos “suficientemente bons”. Paralelamente, criança explora setores cada vez mais amplos do meio externo e separa-se fisicamente da mãe. Esta separação física, embora necessária para a exploração do mundo envolvente, é geradora de angústia na criança, explicada por, nesta fase, a criança não ter, ainda, adquirido a representação de um objeto total que lhe permita compreender que a mãe está presente mesmo quando separada fisicamente desta. A mãe assume, portanto, um papel tranquilizador essencial ao nível da sua disponibilidade emocional para a criança, pelo que qualquer ausência poderá ter impacto no desenvolvimento da criança em vias de individuação pois esta não poderá fazer a contraprova percetiva e emocional. As particularidades do desenvolvimento psicoafectivo integradas nas características vivenciais familiares refletem a vulnerabilidade da criança e das suas manifestações emocionais e comportamentais.


The period of maternal absence at a specific stage of development is particularly complex in children. A 29-month-old male child was referred from the family doctor for a child and adolescence psychiatric consultation due to complaints of heteroaggressiveness: since he was 11 months old, when in contact with his mother and maternal grandmother, he reacts with a bite. These episodes started with the discovery of neoplastic disease in the brother and with the consequent removal of the mother for varying periods of time, leaving the baby in the care of the maternal grandmother. The maternal grandmother appears as a secondary link figure in the face of moments of maternal absence. The first year of life is guided by the oral stage, which is globally a year defined by prehension, with the orolabial zone being dominant in behavioral manifestations. In the developmental phase in which the behavior emerged, at 11 months, the mother stops assuming an exclusively para-excitatory protective role to start acting as an “auxiliary / supportive ego” to the baby through “sufficiently good” behaviors. At the same time, the child explores increasingly wider sectors of the external environment and physically separates from the mother. This physical separation, although necessary for the exploration of the surrounding world, generates anguish in the child, explained by the fact that, at this stage, the child has not yet acquired the representation of a total object that allows him to understand that the mother is present when physically separated from it. The mother assumes, therefore, an essential reassuring role in terms of her emotional availability for the child, so any absence can have an impact on the development of the child in the process of individuation, as the child will not be able to make the perceptual and emotional counterproof. The particularities of psycho-affective development integrated in family experience characteristics reflect the child's vulnerability and its emotional and behavioral manifestations.


Palavras-chave Keywords:

Agressividade, Desenvolvimento psicoafectivo, Manifestações comportamentais, Emoções.

Aggressiveness, Psycho-affective development, Behavioral manifestations, Emotions.


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