Saúde mental e fatores de proteção em crianças e adolescentes em acolhimento residencial = Mental health and protective factors in children and adolescents in residential care

Sara Isabel Alegria Tereso

Resumo


Crianças e adolescentes em acolhimento residencial acumulam vários fatores de risco e apresentam uma prevalência elevada de problemas de saúde mental. Este estudo pretendeu caracterizar 88 indivíduos dos 7 aos 17 anos quanto a características sociodemográficas, escolares e institucionais, recursos individuais e relacionais e resultados de saúde mental, com recurso a questionários sociodemográficos, escolares e institucionais, EAR, QRE-CA, TEA, QLFS, QCD e RCDAS. A maioria dos participantes reside na sua primeira casa de acolhimento, tem contacto com a família, não tem irmãos na instituição, não tem problemas de saúde mental ou física identificados pelos tutores e tem acompanhamento em psicologia/pedopsiquiatria. Muitos beneficiam de ensino especial ou adaptações curriculares e apresentam resultados negativos e/ou problemas comportamentais na escola. Verificaram-se resultados moderados de auto-estima, elevados de qualidade das relações com figuras significativas e baixos de autorregulação emocional. Os resultados de ansiedade, depressão e dificuldades totais são baixos/moderados, mas elevados em comparação com amostras comunitárias. Uma auto-estima mais elevada, maior capacidade de autorregulação emocional e atencional, maior frequência no contacto com a família, mais tempo de institucionalização e um maior número de adultos significativos identificados correlacionaram-se com melhores resultados de saúde mental. Foi possível identificar dimensões associadas a melhores resultados de saúde mental (fatores de proteção), que poderão ser alvo de promoção na intervenção ou prevenção de problemas de saúde mental junto desta população.


Children and adolescents in residential care accumulate several risk factors and have a high prevalence of mental health problems. This study aimed to characterize 88 individuals from 7 to 17 years old regarding sociodemographic, school and institutional characteristics, individual and relational resources and mental health outcomes, using sociodemographic, school and institutional questionnaires, RSES, ERQ-CA, TEA, QLFS, SDQ and RCDAS. Most participants live in their first institution, have contact with their family, do not have siblings in the institution, do not have mental or physical health problems identified by tutors and are followed up in psychology/psychiatry. Many benefit from special education or curricular adaptations and have negative results and/or behavioral problems in school. It was verified moderate results of self-esteem, high quality of relationships with significant figures and low levels of emotional self-regulation. The results of anxiety, depression and total difficulties are low/moderate, but high compared to community samples. Higher self-esteem, greater capacity for emotional and attentional self-regulation, more frequent contact with the family, more institutionalization time and a greater number of significant adults identified correlated with better mental health outcomes. It was possible to identify dimensions associated with better mental health outcomes (protective factors), which could be targeted for promotion in the intervention or prevention of mental health problems among this population.


Palavras-chave / Keywords:

Fatores de proteção, Saúde mental, Crianças, Adolescentes, Institucionalização.

Protective factors, Mental health, Children, Adolescents, Institutionalization.


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